29 março, 2010

Escolhas de uma vida

"Nós somos a soma das nossas decisões".Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. A gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida". Não é tarefa fácil. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser engenheiro.No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.
As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços. Escolha: beber até cair ou virar vegetariano? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas. Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposta e não tê-los quando se está cansada. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações. Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua.

25 março, 2010


Ao finαl do diα, quαndo tudo terminα, tudo que α gente mαis quer é estαr perto de αlguém. Entαo essα coisα onde α gente mαntém distαncia e finge nαo se importαr com os outros é gerαlmente besteirαdα. Nós escolhemos αqueles que queremos permαnecer próximos e, umα vez que escolhemos tαis pessoαs, tendemos α mαnter contαto. Nαo importα o quαnto αs mαchuquemos, αs pessoαs que αindα estαo com você αo finαl do diα sαo αquelαs que vαle α penα mαnter.

E, clαro, αs vezes próximo pode ser próximo demαis. Mαs, αs vezes, αquelα invαsão de espαço pessoαl pode ser exαtαmente αquilo que você precisα...

18 março, 2010

Hoje eu diria qualquer coisa..

Se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não achei que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não me lembro onde. Hoje havia calma, entende? Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende? Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse. Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquelas maçãs eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você me pergunta como estou, mordo devagar uma das maçãs que você me traz e cuido meus olhos para não me traírem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo o que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes (...) (Caio Fernando Abreu)

Porque não aparece alguém assim?

Há certas horas em que não precisamos de um amor, não precisamos da paixão desmedida, que não queremos só beijo na boca. Há certas horas que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado, sem nada dizer. Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir, alguém que dá risada de nossas piadas sem graça, que ache nossas tristezas as maiores do mundo, que nos teça elogios, e que, apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável, que nos mande calar a boca ou que evite um gesto impensado.
Alguém que nos possa dizer: "Acho que você está errado, mas estou do seu lado."
Ou alguém que apenas diga: "Sou seu amor, e estou aqui."

Dear Diary

Acho que toda garota, já teve muitos diários, principalmente na adolescência, a época de paixonites rápidas, de amores platônicos, de amizades pra sempre - tá, eu ainda acredito no 'pra sempre', mas como não admito isso freqüentemente uso o por 'muito e muito tempo'.
Lendo aquelas palavras antigas, aquelas histórias passadas, um tempo vivido que se perdeu, eu percebi o quanto eu fui ingênua, o quanto fui boba, o quanto eu era boazinha, (aquelas boazinhas até demais, sabe?) o quanto eu confiava e acreditava no que as pessoas falavam, o quanto eu me iludia com promessas fáceis, o quanto eu errei, o quanto eu chorei, e o quanto eu cresci. A cada diário diferente eu percebi as mudanças que aconteceu, mudanças dos sentimentos, do jeito de pensar e até mesmo de levar a vida. Eu ri muito também, a gente lê cada coisa, e se pergunta: "Meu Deus, eu realmente fiz isso?", são tantos absurdos...
Mas apesar de tudo isso, eu não mudaria nada. Nada mesmo! Eu não me envergonho do meu passado e nem dos meus delírios românticos, bobos e ridículos. Eu não tentaria concertar nenhum erro cometido, não mudaria nenhuma frase que saiu da minha boca, nenhuma decisão, e nenhuma atitude. Se eu as mudasse, talvez eu não tivesse crescido, talvez eu não soubesse tudo o que eu sei, talvez eu não fosse como eu sou hoje.
E, sinceramente? Eu tenho um grande orgulho de ter quebrado a cara, de ter caído, mas levantado, de ser quem eu sou e no que eu me tornei. Ainda sou muito boba, chorona e impulsiva, ainda tenho muito que aprender, eu tenho o resto de uma vida ainda. Um dia eu vou ler este texto e me questionar porque eu o escrevi. Talvez eu até ria um pouco. A gente muda tanto. A nossa vida dá tantas voltas. E o que restará? São as memórias, e as palavras escritas, que serão lidas e relidas. E você vai dizer: “Meu Deus, como eu vivi, como eu cresci! Obrigada por permitir que tudo isso me acontecesse!”

13 março, 2010

Nesses ultimos anos eu aprendi com Da Vinci, que "tudo começa na mente", com Platão que "o passo mais importante é o primeiro", com minha mãe que "quem muito abaixa, acaba mostrando os fundos",com Nietzsche que "aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.", com Raul Seixas que "eu sou uma metamorfose ambulante", com Falcão que "família não precisa ter conta sanguínea, é preciso ter sempre um pouco mais de sintonia", com a música Hotel California que "some dance to remember, some dance to forget", com Lya Luft que "o melhor a fazer com as perdas é perdê-las", com Kahlil Gibran sobre relacionamentos foi "... e ficai juntos, embora não demasiadamente próximos: pois os pilares de um mesmo templo mantêm-se separados..", com o Bob Marley que " a sua consciência é o que você é e sua reputação é o que os outros pensam de você... E e o que os outros pensam de você é problema deles...", com Clarisse Lipector que "o contraditório faz todo sentido e com o espelho que não há nada melhor num dia cinza que um sorriso verdadeiro."

23h43min

Talvez a grande verdade e certeza que insista em se mostrar no meio desse cinza dos últimos dias seja mesmo essa dúvida que não se vai, nem se revela, nem nada. Talvez o que eu ainda não tenha entendido é que compreender o que se passa nunca foi realmente o meu forte e decidir, igualmente, não tem sido minha prática mais constante. E, no fim das contas, eu nem sei direito dizer quem eu sou ou o que está por vir, por isso tanta mudança, tantas coisas fora do lugar e, ao mesmo tempo, tudo do mesmo jeito. E a verdade, a certeza, o cinza, a decisão, o que eu sou ou qualquer coisa que não está assim colorida e clara aqui dentro, nem tem tanta pressa assim de ser desenhada. Deixa pra depois. Por enquanto, eu vou vivendo, vou indo, vou ficando. E mudando. Talvez. Ou não. Já é hora de tocar a vida...

11 fevereiro, 2010

Certas horas..

Há certas horas em que não precisamos de um amor, não precisamos da paixão desmedida, que não queremos só beijo na boca. Há certas horas que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado, sem nada dizer. Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir, alguém que dá risada de nossas piadas sem graça, que ache nossas tristezas as maiores do mundo, que nos teça elogios, e que, apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável, que nos mande calar a boca ou que evite um gesto impensado.
Alguém que nos possa dizer: "Acho que você está errado, mas estou do seu lado."
Ou alguém que apenas diga: "Sou seu amor, e estou aqui."

(William Shakespeare)

08 fevereiro, 2010

Fome.

Todo mundo tem fome de alguma coisa. Fome de comida, de vingança, de alegria, de vida. Eu tenho fome de amor, e acho que além de mim, existem dúzias por aí que estão na mesma situação. As vezes eu me pergunto 'onde foi parar o amor que eu deixei na geladeira?'. Guardei achando que ia conservar e durar por mais tempo, e acabei descobrindo que amor não precisa de conservantes, ele dura o tempo que tiver que durar. A gente sempre insiste em prolongar as coisas, e na maioria das vezes, elas nem fazem sentido. Porque todo mundo prolonga uma briga, mas não prolonga um beijo? Como diria Chico Buarque em uma de suas canções: "Pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz.." Acho que finalmente entendi que felicidade não depende de sentar e esperar que ela bata na porta. Felicidade depende basicamente de correr atrás; fazer escolhas certas, se arriscar e principalmente, não ter medo de ser tocado no coração, acreditar no amor é a única saída pra ser feliz. Cansei de presenciar tanta superficialidade, não vejo nada de marcante nos 'amores' de hoje em dia, poucos trazem as características de um verdadeiro sentimento. Quero o verdadeiro, o profundo, o puro, o desconhecido. O amor em sua mais pura essência. E assim, quero saciar a fome de muitos que dormem todos os dias sem ter o alimento que tanto desejam, aquele capaz de bastar todas as agonias em apenas uma dose.
Nós somos o amor, e antes de mais nada, devemos acreditar na força daquilo que somos.

27 janeiro, 2010

Paixão termina, amor não.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

It is true

É dificil seguir a estrada, mas quando você começa a caminhar por uma, tem que segui-la até o final. O medo toma conta nessa hora de solidão, quando se está sozinho no quarto, pensando na vida. Mas pra que se preocupar quando nada mudará? Toda historia tem um começo, tem um meio e tem um fim, e em todo amor, tem dor, tem alegria e tem um desamor.
Não tente esquecer o que não dá, no final você vai ter um resultado bem diferente do que esperava, o que você tanto queria esquecer vai estar muito mais na sua cabeça do que antes.

A vida precisa ser encarada de frente..

Sabe quando tudo resolve desabar de uma só vez? Pois é, é assim que eu to me sentindo, tudo desabando de uma só vez.. Não é fácil pra ninguém enfrentar a vida de frente, e mais difícil ainda é fazer como eu faço, não deixar que a tristeza e o cansaço fiquem aparente.. Mais eles estão aqui, dentro de mim, eu ainda consigo esconde-los, fácil não é, nada na vida é fácil, ninguem prometeu que seria, mais sinceramente não sei como eu consigo, tem dias em que até me considero forte, pois não sei se outra pessoa no meu lugar agüentaria passar por tudo isso, e ainda continuar com um sorriso no rosto. Uma briguinha aqui, um probleminha ali, é normal..todo mundo tem, ou pelo menos quase todo mundo..mais e quando tudo (Pai, mãe, amigos, conhecidos, saúde, amores..) começam a desabar de uma só vez? É como uma montanha de terra caísse sobre você e você não soubesse como sair de lá.. É ai
que o o cansaço bate, e você tem vontade de se entregar a ele e dormir pra sempre.. mais infelizmente não vivo nos contos de fada, não tem como dormir pra sempre, o meu mundo é real, e no mundo real o “felizes para sempre” não existe. A única saída é sempre acreditar que o dia de amanhã será melhor, mesmo sabendo que os problemas ainda estarão ali, esperando para serem resolvidos, ou talvez nunca sejam resolvidos.
Gosto de ter certeza das coisas pra poder lutar ou desistir delas, mas nesse caso, não diria desistir de nada. Diria entregar ao tempo.. Talvez seja apenas mais um desafio, mais uma forma de provar pra quem quer que seja que eu não desisto fácil das coisas, não me acostumo com o que não me agrada. Se o que Deus quer de mim é coragem, ele vai ter muito mais que isso!

25 janeiro, 2010

Quem sou eu?

..Eu vivo para saber.
Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesma. Reduções simplistas, frases apressadas, mal feitas..
Eu reajo. Fico feliz com os elogios que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento.
Eu, vista pelo outro, nem sempre sou eu mesma. Ou porque sou projetada melhor do que sou ou porque projetada pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias.
Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada.No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro.
Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado nesse processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.